“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de um futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro...” (Rubem Alves)





.

Só se vê bem com o coração





Mas aconteceu que o principezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Bom dia, disseram as rosas.
O principezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.
- Quem sois? perguntou ele estupefato.
- Somos rosas, disseram as rosas.
- Ah! exclamou o principezinho...
E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!
"Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar do ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade..."
Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande..." E, deitado na relva, ele chorou.
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te contarei um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para- vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

No meio do caminho




No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra .


(Carlos Drummond de Andrade)

Poemas dos meus alunos na E.E São Pedro

Sentimento

Eu queria me entender

Eu queria contar contos,

E ser reconhecida.

Eu queria viver, além do

Que vejo, eu queria sentir além

Do que sinto.

Viver por amor e morrer

Da ingratidão...

Sentindo meus pés tocarem

O chão molhado de uma

Chuva de verão...

Eu queria olhar o por-do-Sol

da minha sacada

Adormecer a escuridão da

Noite... Apreciar os astronautas

como se fossem os que

traziam tudo que queremos

saber sobre planetas...

Mas é simples não precisamos

De foguetes ou telescópios...

Basta sentar sobre a areia

E apreciar cada brilho

reluzente de uma Estrela

Ouvir o que o vento nos diz

Basta apenas sentir...

(Crislane Landim)


Amor e Vida

Eu amo a vida e amo viver.

Viver é tudo, para continuidade da vida.

Viver é amar, quando amamos flutuamos.

Quando flutuamos chegamos às nuvens.

Como seria bom se esse sonho não acabasse

A vida muitas vezes nos prega peças com o amor.

Vai embora, ficamos tristes desamparados, mas nunca

deixando de viver cada dia da vida como se

fosse o último.

A vida é maravilhosa, aproveite.

(Eliandro Gomes)


Tempo

Em tão pouco tempo

Não consigo te conhecer

Em tão pouco tempo

quero te entender


Você é bem assim

Difícil de compreender

E muito mais de conhecer

Forte mesmo assim!


Quando te vejo guardo seu olhar

Para com você um fato me recordar

Por que você é bem assim

Um dia pra ele outro pra mim


Você tem um estilo que me atrai

Um estolo psy

Eu só quero te encontrar

para um dia poder te amar.

(Felipe)


Amei

Se os meus lábios não lhe falam

E meus olhos não me entregam.

Como poderei dizer

Que te amei

Mas a felicidade está em mim

Pois se nada tenho

Por tudo lutei

E sem me arrempender de nada

Num futuro poderei dizer

Tentei.

(Roselaine Lisboa)


Poema

Que nome lindo, que nome belo

Sei que te amo, sei que te quero.

Tem pesoas que passa

Pelas nossas vidas e deiam

Um pouco de si, outras

Passam e levam um poudo

De nós, tem outras que não

Passam, simplesmente ficam

Como você!

(Nayara)


Olhava o céu, farta e cansada. Buscava respostas imcompreensíveis, esperava o que nunca chegou, procurei o que jamais achei.

Certa vez cansei, perdi o fôlego, o ânimo, a coragem e desabafei. Um desabafo que me corroia a alma, e me atormentava os dias.

Mas quando me vi ali diante de uma humanidade tão obscura, minhas dúvidas voltaram, minha obsessão e curiosidade também. Aí percebi que aquilo que me motivava, que me impulsionava para frente!

(Michele Araujo)



O Guardador de Rebanhos II - Alberto Caeiro



"Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."


O retrato de Dorian Gray


O Retrato de Dorian Gray (no original em inglês, The Picture of Dorian Gray) é um romance publicado por Oscar Wilde, considerado um dos grandes escritores irlandeses do século XIX.

Enredo
Tudo começa quando um pintor chamado Basil Hallward recebe a visita de um amigo seu chamado Lorde Henry Wotton, e comenta sobre a impressionante beleza de seu modelo, um jovem chamado Dorian Gray. Lorde Henry conhece Doryan durante a pintura de um quadro, e também se impressiona com sua beleza. Henry fala para o rapaz que é uma pena uma pessoa tão bela ter que envelhecer um dia, atiçando assim desejos novos no coração do jovem Dorian. Quando o quadro termina todos ficam impressionados pela perfeição da obra que pode retratar toda a beleza de Doryan Gray. Ao ver o quadro o Jovem sente inveja e se estabelece o conflito da trama com as seguintes palavras do modelo :

“...mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre, eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a minha alma...”(pag. 36)

Dorian passa a se envolver cada vez mais em sua amizade com Lorde Henry. Com o Tempo Doryan se apaixona por uma atriz chamada Sibyl Vane, ele se empolga muito com a moça falando dela com muita paixão para seus amigos. Sibyl fala para seu irmão do seu amor por Doryan, e o seu irmão promete que se Doryan causar algum sofrimento para Sibyl irá matá-lo.
Influenciado por Lorde Henry, Dorian despreza Sibyl. Desesperada ela se mata. Dorian descobre que o quadro pintado anteriormente muda um pouco a fisionomia, percebendo assim que seu pedido havia sido atendido.
Passam-se dezoito anos e Doryan se entrega a maldades sem limites, levando para o mal caminho muitas moças e rapazes, contudo Doryan permanece com uma aparência jovem e bela enquanto a sua imagem no quadro fica cada vez mais horrível.
Um dia Basil visita Doryan que mostra para o amigo o segredo do quadro. Basil pede a Dorian que destrua o quadro e se converta ao Crsitianismo. Chega o clímax da obra quando Dorya Gray chega ao ápice de sua maldade, aproveita um momento de distração de Basil e crava uma faca em seu antigo amigo, matanto-o de forma cruel.
Passado esse acontecimento Doryan encotra o irmão de Sibyl que tenta matá-lo, mas consegue fugir. Passa então a sentir muito medo, que é aliviado quando Doryan decobre que seu algoz morre.
A trama tem o seu desfecho quando Doryan decide então deixar de viver de forma dissoluta e tenta destruir o quadro. Usa a mesma adaga que usou para matar Basil. Quando ele enfia a adaga no quadro é como se ele atravessasse com aquela adaga sua própria alma e cai morto. O quadro volta à sua imagem normal e Doryan se torna horrível sendo reconhecido apenas pelos anéis.

WILDE, Oscar. in O retrato de Dorian Gray.

A hora da estrela



O romance “A hora da estrela” de Clarice Lispector conta a estória de uma moça nordestina chamada Macabéa. O nome Macabéa tem um significado oposto à personagem do Romance, ele vem de uma história que se encontra na Bíblia, Judas Macabeu foi o líder judeu que se revoltou contra o domínio Grego-Macedônico e libertou o país da humilhante invasão estrangeira

Este texto é uma interpretação bem particular, mas acredito que tenha relação com a mensagem da obra..

Macabéa, assim chamada de forma irônica, é uma moça nordestina que desde a infância foi privada daquilo que lhe proporcionava alegria. Sua tia batia constantemente em sua cabeça com “cascudos” e privava a pequena Macabéa da única paixão da sua vida que era doce de goiaba com queijo. Desde muito cedo foi ensinada dessa forma cruel, que não podia ter o que desejava.
Quando cresce, Macabéa vai morar no Rio de Janeiro e começa a trabalhar como datilógrafa. Gosta muito de coca-cola e da atriz Marilyn Monroe, ouvir rádio relógio, e recortar figuras de revistas.
Conhece um rapaz chamado Olímpico, passam a namorar, mas Olímpico a maltrata com suas palavras cruéis, entretanto Macabéa não esboça reação.
O namoro de Macabéa não dura muito, Olímpico revoltado com a passividade de Macabéa a troca por sua colega de trabalho Glória.
Macabéa seguindo o conselho de Glória consulta uma cartomante. A cartomante lhe faz muitas promessas, promessas de um futuro bom. Toda feliz, Macabea sai da casa da cartomante “uma pessoa grávida de futuro” (pag.79). Pela primeira vez enxergando seus problemas e pensando em melhorar de vida. Mas um Mercedes atropelou a pobre Macabéa que caiu e agonizando morreu.

Macabéa é um exemplo de alienação, tudo nela é exagerado. Mas muitas pessoas tornam-se também “Macabéas”. Uma pessoa totalmente alienada e conformada. A Macabéa aprendeu com a tia que não deveria desejar, ou que se desejasse não poderia ter. Fechada no seu mundinho, sem se abrir para novas possibilidades, da mesma forma as pessoas (não sei se a maioria), vivem alienadas.
Assim como a Macabéa adorava coca-cola e a falecida atriz Marilyn Monroe,o povo de nosso país admira em demasia tudo o que vem dos estados unidos, e esquece de suas principais necessidades, esquece que a vida pode ser muito mais do que comer o lixo que é jogado dos EUA.
Assim como Macabéa, muitas pessoas vivem alienadas sem se abrir para a vida, sem ampliarem sua visão de mundo. Correm atrás de ilusões e quando acordam já está tarde. As atividades de lazer de Macabéa parecem engraçadas pela sua futilidade, mas e as nossas? Será que não vivemos também numa rotina que nos escraviza? Será que não temos também um pouco de Macabéa em nossas atitudes e escolhas? O principal problema de Macabéa era achar que a vida era apenas o que ela enxergava!



LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela.. Rio de Janeiro. Rocco. 1998

"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."
(Rubem Alves)





Sozinhos, ou de dois a dois
Aqueles que realmente te amam
Andam para cima e para baixo
Do lado de fora do muro
Alguns de mãos dadas
Outros abraçados em grupo
Os sensiveis e os artistas
Estão a tua espera
E quando dão tudo o que tem
Alguns cambaleando caem,
porque afinal, não é facil
Lançar o teu coração contra
um muro feito por um louco
E quando dão tudo o que tem
Alguns cambaleando caem,
porque afinal,
não é facil!
(Waters)

The Wall - O Muro


Em 1979, a banda inglesa Pink Floyd lançou o disco The Wall (O muro), e em 1982 The Wall na versão filme.


O tema do Disco

O tema de The Wall é a alienação, o isolamento. O muro representa o muro que as pessoas constroem em torno de si, pelo medo que tem de relacionarem-se abertamente.
A formação ideológica das pessoas(visão de mundo) é construída desde a infância, através da família, escola, religião e mídia.
The Wall mostra através da história de Pink, como os fatores formadores de ideologia tornam as pessoas alienadas e extremamente individualistas.




A história contada em The Wall

Pink é um garoto que perdeu seu pai na segunda guerra mundial. A perda e a decorrente ausência do pai é “compensada” pela super proteção da mãe, que escolhe desde suas roupas até suas namoradas. Sua infância também não foi agradável: foi o alvo preferido do professor, que o humilhava cruelmente na presença de seus colegas de classe, e como diz a letra “Tudo isso é só mais um tijolo no muro”.

Quando Pink cresce torna-se um astro de rock  Sem suportar a pressão, cai em depressão. Passa então a negligenciar a esposa (que se envolve com outro homem) e a sofrer alucinações. Como resultado, tenta cometer suicídio, mas é salvo por um médico.
Segue para um de seus shows, e usa seu poder de persuasão para manipular sua plateia, convencendo-os a limpar o mundo dos “males da sociedade”. Seus fãs o ajudam em seu propósito maluco! Isso é uma sátira ao  nazifascismo.
Em seguida Pink passa por um julgamento em sua mente, em que depõe contra ele o professor, sua mãe e sua esposa. Como resultado, Pink é sentenciado a acabar com seu isolamento do mundo exterior, então o Muro é finalmente derrubado.

Melhor do que ler sobre The Wall, é ouvir!!!
Alguns Vídeos:





Soneto

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!


Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
- Era um anjo entre nuvens d'alvorada,
Que em sonhos se banhava e se esquecia!


Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos, as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...


Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

[Álvares de Azevedo]