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Com a independência do Brasil, surgiu a necessidade de uma literatura autenticamente brasileira. Uma literatura que exaltasse as qualidades de um Brasil independente, uma literatura com identidade nacional.
Nessa época surgiu o Romantismo Brasileiro com a obra “Suspiros poéticos e saudade” de Gonçalves de Magalhães. Logo em seguida veio Gonçalves Dias e acrescentou grande qualidade ao Romantismo brasileiro e tornou-se o principal nome nesse período.
Vida e obra de Gonçalves Dias
Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), filho de um comerciante português e de uma cafuza, nasceu no Maranhão onde fez os primeiros estudos. Cursou direito em Coimbra, onde conheceu escritores românticos portugueses. Viveu em Portugal por oito anos que foram muito importantes para a sua formação intelectual.
A grande paixão de sua vida foi Ana Amélia do Vale. A família de Ana Amélia do Vale não permitiu a união por ele ser mestiço. Acabou casando com Olímpia da Costa. Em 1854 por casualidade encontrou Ana Amélia em Lisboa, esse encontro teve como resultado o poema “Ainda uma vez adeus”.
Gonçalves Dias teve muitos problemas de saúde: problemas cardíacos, hepatite, malária e gastrite. Em 1862 regressou à Europa em busca de tratamento. Na volta ao Brasil aconteceu um naufrágio do navio e Gonçalves Dias faleceu com 41 anos.
A poesia romântica Brasileira começou com Gonçalves de Magalhães, mas foi Gonçalves Dias o grande poeta do inicio do Romantismo, como afirma Alfredo Bosi:
Gonçalves Dias foi o primeiro poeta autentico a emergir em nosso Romantismo. Se manteve com a literatura do grupo de Magalhães mais de um contato (passadismo, pendor filosofante), a sua personalidade de artista soube transformar os temas comuns em obras poéticas duradouras que o situam muito acima de seus predecessores.(BOSI, Alfredo. In História concisa da Literatura Brasileira. 2006. pag. 104)
Obra:
Poesia: Primeiros cantos (1846); segundos cantos(1848); Sextilhas do Rei Antão(1848); últimos cantos (1851); Os timbiras (1857).
Teatro: Betriz Cenci (1843); Leonor de Mendonça (1847).
Outros: Brasil e Oceania (1852); Dicionário da língua tupi (1858).
Gonçalves Dias buscava captar os sentimentos e a sensibilidade de nosso povo. Sua poesia foi criada numa linguagem simples e acessível, com métricas e ritmos variados, voltada para o índio(substituto da figura do herói medieval europeu), e a natureza brasileira. Como podemos observar nos seguintes poemas:
O canto do guerreiro
(primeira estrofe)
Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. — Ouvi-me, Guerreiros, — Ouvi meu cantar.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá; Em cismar –sozinho, à noite– Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá; Sem que disfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias também falava do amor não correspondido, como podemos observar no poema “Ainda uma vez-Adeus”:
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"Ainda uma vez-Adeus"
Enfim te vejo! — enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te, Que não cessei de querer-te, Pesar de quanto sofri. Muito penei! Cruas ânsias, Dos teus olhos afastado, Houveram-me acabrunhado A não lembrar-me de ti! Dum mundo a outro impelido, Derramei os meus lamentos Nas surdas asas dos ventos, Do mar na crespa cerviz! Baldão, ludíbrio da sorte Em terra estranha, entre gente, Que alheios males não sente, Nem se condói do infeliz! Louco, aflito, a saciar-me D'agravar minha ferida, Tomou-me tédio da vida, Passos da morte senti; Mas quase no passo extremo, No último arcar da esp'rança, Tu me vieste à lembrança: Quis viver mais e vivi! Vivi; pois Deus me guardava Para este lugar e hora! Depois de tanto, senhora, Ver-te e falar-te outra vez; Rever-me em teu rosto amigo, Pensar em quanto hei perdido, E este pranto dolorido Deixar correr a teus pés. Mas que tens? Não me conheces? De mim afastas teu rosto? Pois tanto pôde o desgosto Transformar o rosto meu? Sei a aflição quanto pode, Sei quanto ela desfigura, E eu não vivi na ventura... Olha-me bem, que sou eu! Nenhuma voz me diriges!... Julgas-te acaso ofendida? Deste-me amor, e a vida Que me darias — bem sei; Mas lembrem-te aqueles feros Corações, que se meteram Entre nós; e se venceram, Mal sabes quanto lutei! Oh! se lutei! . . . mas devera Expor-te em pública praça, Como um alvo à populaça, Um alvo aos dictérios seus! Devera, podia acaso Tal sacrifício aceitar-te Para no cabo pagar-te, Meus dias unindo aos teus? Devera, sim; mas pensava, Que de mim t'esquecerias, Que, sem mim, alegres dias T'esperavam; e em favor De minhas preces, contava Que o bom Deus me aceitaria O meu quinhão de alegria Pelo teu, quinhão de dor! Que me enganei, ora o vejo; Nadam-te os olhos em pranto, Arfa-te o peito, e no entanto Nem me podes encarar; Erro foi, mas não foi crime, Não te esqueci, eu to juro: Sacrifiquei meu futuro, Vida e glória por te amar! Tudo, tudo; e na miséria Dum martírio prolongado, Lento, cruel, disfarçado, Que eu nem a ti confiei; "Ela é feliz (me dizia) "Seu descanso é obra minha." Negou-me a sorte mesquinha. . . Perdoa, que me enganei! Tantos encantos me tinham, Tanta ilusão me afagava De noite, quando acordava, De dia em sonhos talvez! Tudo isso agora onde pára? Onde a ilusão dos meus sonhos? Tantos projetos risonhos, Tudo esse engano desfez! Enganei-me!... — Horrendo caos Nessas palavras se encerra, Quando do engano, quem erra. Não pode voltar atrás! Amarga irrisão! reflete: Quando eu gozar-te pudera, Mártir quis ser, cuidei qu'era... E um louco fui, nada mais! Louco, julguei adornar-me Com palmas d'alta virtude! Que tinha eu bronco e rude Co que se chama ideal? O meu eras tu, não outro; Stava em deixar minha vida Correr por ti conduzida, Pura, na ausência do mal. Pensar eu que o teu destino Ligado ao meu, outro fora, Pensar que te vejo agora, Por culpa minha, infeliz; Pensar que a tua ventura Deus ab eterno a fizera, No meu caminho a pusera... E eu! eu fui que a não quis! És doutro agora, e pr'a sempre! Eu a mísero desterro Volto, chorando o meu erro, Quase descrendo dos céus! Dói-te de mim, pois me encontras Em tanta miséria posto, Que a expressão deste desgosto Será um crime ante Deus! Dói-te de mim, que t'imploro Perdão, a teus pés curvado; Perdão!... de não ter ousado Viver contente e feliz! Perdão da minha miséria, Da dor que me rala o peito, E se do mal que te hei feito, Também do mal que me fiz! Adeus qu'eu parto, senhora; Negou-me o fado inimigo Passar a vida contigo, Ter sepultura entre os meus; Negou-me nesta hora extrema, Por extrema despedida, Ouvir-te a voz comovida Soluçar um breve Adeus! Lerás porém algum dia Meus versos d'alma arrancados, D'amargo pranto banhados, Com sangue escritos; — e então Confio que te comovas, Que a minha dor te apiade Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão.
Considerações Finais
O equilíbrio de linguagem de Gonçalves Dias e seus temas preferidos serviram de modelo a muitas gerações de poetas que vieram depois, tanto no Romantismo quanto em outros movimentos literários subsequentes.
Referências
MAGALHÃES,Tereza Cochar. CEREJA,Willian Roberto. Português linguagens volume 2, São Paulo 1994, Atual Editora.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira, 1936. 44 edição1994. São Paulo. Cultrix.
FARACO, Carlos Emilio. MOURA. Francisco Marto. Língua e Literatura (1996) SP.
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“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de um futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro...” (Rubem Alves)
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Gonçalves Dias
Alvares de Azevedo

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
- Era um anjo entre nuvens d'alvorada,
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos, as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
[Álvares de Azevedo]
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embalada...
- Era um anjo entre nuvens d'alvorada,
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos, as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
[Álvares de Azevedo]
Manuel Antônio Álvares de Azevedo,
segundo filho de Inácio Alvarez de Azevedo e Maria Luísa Carlota Silveira da
Mota, nasceu na capital de São Paulo na rua de São Francisco próxima à
Faculdade de Direito, a 12 de setembro de 1831. Antes de Manuel Antônio casal
teve uma filha Maria Luísa, que se tornaria a irmã predileta de Álvares de
Azevedo. Com 2 anos de idade Álvares de Azevedo juntamente com sua família
muda-se para o Rio de Janeiro.
Em 1835, morre seu irmão mais novo. Álvares de Azevedo fica com a saúde
debilitada devido o choque emocional causado pela terrível perda.
De 1840 a 1844, Álvares de Azevedo estuda no Colégio Stoll. Aluno de
Destaque impressiona o proprietário do colégio: professor Stoll, que envia uma
carta a seu pai contendo os seguintes dizeres: “ Seu pequeno Manuel encanta-me
sempre mais: é sem dúvida a criança de mais bela esperança do meu colégio,
exceto em ginástica em que é o último”, e diz mais adiante: “ ...é a maior
capacidade intelectual que encontrei na América em menino de sua idade”...
Em 1844, viaja para São Paulo em companhia de seu tio dr. José Inácio
Silveira da Mota, professor da Faculdade de Direito, presta os exames mas não
pode matricular-se devido sua idade. Regressa no ano seguinte ao Rio de Janeiro
onde adquire o grau de Bacharel em Letras após ter sido aprovado plenamente em
todas as matérias. Nesse colégio Álvares de Azevedo foi aluno de Gonçalves de
Magalhães, precursor do Romantismo no Brasil com sua obra: “Suspiros poéticos e
saudade”.
Em 1848, Álvares de Azevedo matricula-se na Faculdade de
Direito de São Paulo. Rapidamente se destaca, graças ao estudo de Direito
Romano e análise do Código do Comercio no Brasil, foi escolhido como orador na
sessão em que se comemorava o aniversário da criação dos cursos jurídicos no
Brasil em 1849.
Em 1851, vai passar as férias de fim de
ano com sua família no Rio de Janeiro, em dezembro vai passar o verão na
fazenda de parentes. Nessa época em março de 1852, Álvares de Azevedo que já
estava tuberculoso, cai de um cavalo, ficando no leito até a morte no dia 25 de
abril de 1852.
Sobre a verdadeira causa de sua morte
divergem os biógrafos entre tumor, apendicite, a queda em si, ou tuberculose.
Em seu túmulo está o epitáfio: “Foi poeta, sonhou e amou na vida”.
Referencias
MAGALHÃES,Tereza Cochar. CEREJA,Willian Roberto. Português linguagens volume 2, São Paulo 1994, Atual Editora
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira, 1936. 44 edição1994. São Paulo. Cultrix.
FARACO, Carlos Emilio. MOURA. Francisco Marto. Língua e Literatura (1996) SP.AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos. Martin Claret, 2007. São Paulo.
Castro Alves

A terceira fase do Romantismo brasileiro não se preocupa apenas com o “eu”, mas também com a sociedade. Os poetas desse período são chamados de poetas “condoreiros”, influenciados pelo escritor francês Victor Hugo eles defenderam a justiça social e a liberdade. Enquanto na Europa defendem a classe operária da exploração, no Brasil a luta é pelo fim da escravidão e pela república. Nesse período destaca-se Castro Alves.
Antonio Frederico de Castro Alves nasceu na Bahia em 1847, na antiga cidade “Curralinho”, hoje chamada de “Castro Alves”. Estudou direito em Recife e em São Paulo. Vivia com a triz portuguesa Eugênia Câmara.
Na faculdade de direito conviveu com outros poetas românticos importantes, além do intelectual baiano Rui Barbosa.
Destacava-se como poeta revolucionário e declamador muito eloquente. Durante uma caçada feriu-se acidentalmente com uma arma de fogo, como consequência teve o pé amputado e agravada sua doença pulmonar. Acabou voltando para salvador, e lá faleceu em 1871. Ele estava no auge de sua popularidade como poeta e declamador.
Sua obra representa um momento de maturidade e transição na poesia Romântica brasileira. Ele demonstrava maturidade e contraposição às atitudes ingênuas de seus predecessores carregadas de idealização e nacionalismo orgulhoso, em vez disso, Castro Alves retrata o lado feio e esquecido pelos primeiros Românticos; a escravidão dos negros, a opressão e a ignorância do povo brasileiro. Representava transição por que suas atitudes mais realistas apontavam para o movimento literário subsequente, o Realismo que já existia na Europa.
Castro Alves possuía uma sensibilidade em relação aos problemas críticos que o Brasil atravessava por volta de 1850. A Poesia de Castro Alves exercia uma função social, estilo que encontrou sua realização na metade do século XIX.
No entanto, como bom romântico, Castro Alves fez também poesias de caráter lírio-amoroso. Entretanto a mulher na obra de Castro Alves aparece como um ser concreto, mais real do que na obra dos outros poetas de sua época.
Texto retirado de “O navio negreiro”:
"Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas. "
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas. "
As duas flores
"São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!"
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!"
Referências Bibliográficas
Alves, Castro. Espumas flutuantes. Martin Claret. São Paulo. 2004.
Site: http://www.culturabrasil.pro.br/navionegreiro.htm (05/10/2009, 19:30)
MAGALHÃES,Tereza Cochar. CEREJA,Willian Roberto. Português linguagens volume 2, São Paulo 1994, Atual Editora.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira, 1936. 44 edição1994. São Paulo. Cultrix.
FARACO, Carlos Emilio. MOURA. Francisco Marto. Língua e Literatura (1996) SP.
O real problema da educação paulista

Uma coisa que tem chamado muito a minha atenção nos últimos meses é a critica à educação brasileira ser centralizada na qualidade dos professores. Essa crítica vai desde a boa intenção dos professores até sua formação universitária, porém a realidade é bem diferente da fala teórica e utópica.
Quando digo teórica, não me
refiro à teoria de maneira acadêmica que exige pesquisa, citações de
autoridades no assunto e compromisso com a realidade. Pelo contrário, chamo
teórica num sentido menos acadêmico, teoria como simplesmente ideia
desvinculada da realidade, uma opinião infundada.
O grande desafio do magistério
paulista não está na formação dos professores (é claro que existem casos e
casos), já que a maioria dos professores que conheci, nesses quatro anos de
magistério e treze escolas pelas quais passei, são pessoas de nível cultural
elevado, que apreciam os estudos e buscam sempre melhorar como profissionais.
Também não podemos culpar as
faculdades em cem por cento pelos problemas educacionais, até por que o bom
professor não depende apenas do diploma, e sim procura progredir sempre em sua
formação. Não se fixa em um método pedagógico, mas aprende todos e sempre adéqua
sua metodologia às necessidades de seus alunos, observadas continuamente de
maneira diagnóstica.
O grande problema da educação
paulista é a indisciplina dos alunos em sala de aula. Uma das coisas mais básicas
em qualquer situação em que se tem um professor, é entender que a explicação deve
ser ouvida. Pois sem esta é muito difícil, talvez impossível, sequer o aluno
saber o que está fazendo na escola.
Isso independe do método
utilizado, simplesmente não há o diálogo. Alunos entram em sala de aula
brincando e ignoram tudo o que o professor tem a dizer. Ficam o tempo inteiro
falando alto e quando o professor pede para que eles deixem para conversar em outro momento, ou é ignorado ou desafiado.
É claro que não são todos os
alunos que tem essa postura, geralmente é uma minoria em sala de aula que já
desestabiliza e atrapalha todo o trabalho. Mas os números variam muito, às
vezes temos turmas em que a maioria do alunos não quer prestar atenção na aula,
muito menos fazer as atividades propostas.
Um fator bastante relevante é a
diferença que existe no comportamento dos alunos de escola para escola. Em
todas elas o professor deve saber conquistar o respeito e a atenção dos alunos,
e cada um tem sua maneira de trabalhar. Porém temos “escolas e escolas”.
As escolas mais difíceis de
trabalhar são as que ficam em regiões periféricas. São alunos que tem histórias
de vida muito tristes. Pais separados, pai na cadeia, violência doméstica,
suicídio na família, desprezo dos pais, falta de planejamento familiar, nenhum
incentivo para estudar a não ser o bolsa família, uso de álcool e drogas
ilícitas durante a adolescência, comportamento sexual precoce, etc.
Nas reuniões de pais, aparecem
geralmente apenas os pais dos bons alunos (não é difícil deduzir por que são
bons alunos), os que mais precisam de atenção dos pais simplesmente não a tem.
Mas aí surge a grande questão, “como
o aluno se sentirá motivado a estudar se não há incentivo?”
Como professor procuro conscientizar
os meus alunos da importância da escola em suas vidas e tento ao máximo
fazê-los gostar da matéria para que haja alguma motivação. Mas isso nem sempre é o suficiente, os menores (quinta
à sétima série) não entendem esse tipo de diálogo, acredito que alguns do
ensino médio também não, ou porque sua capacidade de compreensão já está
comprometida pelos muitos anos perdidos, ou não quer encarar a realidade.
Muitos alunos veem a escola
como o lugar que eles tem para extravasar
suas mágoas e brincar o máximo possível com seus colegas sabendo que tem em
casa uma realidade difícil para encarar. É claro que muitas vezes isso acontece
de forma inconsciente e os coitados vão sendo levados pela vida.
Uma rigidez disciplinar em sala
de aula aliada ao bom senso pode ajudar muito no trabalho do professor, mas com
a aprovação automática e a falta de apoio que a escola tem dos pais tudo fica
muito difícil.
O que mais me admira é ver que
com tudo isso ainda há alunos que aprendem e professores que conseguem ensinar
algo, até mesmo incentivar esses alunos a progredir na vida e enfrentar as dificuldades
para encontrar seu próprio caminho.
Por isso não adianta o governo de São Paulo achar que com esses cursos básicos que eles proporcionam e trazem apenas conteúdos que todo professor conhece (geralmente nos primeiros semestres da faculdade) está melhorando a educação. O problema é muito mais sério. É uma questão de estrutura familiar, são pais com histórias complicadas de vida e infelizmente isso reflete na conduta escolar dos filhos.
Por isso não adianta o governo de São Paulo achar que com esses cursos básicos que eles proporcionam e trazem apenas conteúdos que todo professor conhece (geralmente nos primeiros semestres da faculdade) está melhorando a educação. O problema é muito mais sério. É uma questão de estrutura familiar, são pais com histórias complicadas de vida e infelizmente isso reflete na conduta escolar dos filhos.
Recado ao Senhor 903
(Rubem Braga)
Vizinho - Quem fala aqui é o vizinho do 1003. Recebi, outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava do barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal - devia ser meia-noite - e sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se o não fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor, é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita, pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a leste pelo 1005, a oeste pelo 1001, ao sul pelo Oceano Atlântico, ao norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 - que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45 e explicarei: O 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua em que ele trabalha na sala 305. Nossa vida vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas - prometo silêncio...
...mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta de outro e dissesse: "Vizinho, são 3 horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou." E o outro respondesse: "Entra, vizinho e come do meu pão e bebe do meu vinho! Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a vida é bela."
E o homem trouxesse sua mulher e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
Vidas em Português
O documentário Vidas em Português mostra em seis países como a língua portuguesa é utilizada por pessoas de culturas, crenças e hábitos totalmente diferentes. É um documentário muito rico culturalmente e linguisticamente, que conta com a participação de pessoas simples e de algumas celebridades como os escritores Mia Couto e José Saramago.
Só se vê bem com o coração

Mas aconteceu que o principezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.
- Bom dia, disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Bom dia, disseram as rosas.
O principezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.
- Quem sois? perguntou ele estupefato.
- Somos rosas, disseram as rosas.
- Ah! exclamou o principezinho...
E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!
"Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar do ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade..."
Depois, refletiu ainda: "Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande..." E, deitado na relva, ele chorou.
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te contarei um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para- vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra .
(Carlos Drummond de Andrade)
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